Resumo

Os números recentes, divulgados pela Petrobrás, sobre a jazida de Gás Natural (GN) na Bacia de Santos (SP), aponta a existência de mais de 600 bilhões de metros cúbicos de GN. Este número aquece o mercado de gás brasileiro, que está em crescimento, mas tendo ainda como insumo majoritário o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).

Na construção civil, com este progresso nos recursos da matriz energética brasileira, se faz necessário a qualificação profissional, pois os sistemas prediais de suprimento de energia devem acompanhar este desenvolvimento, provendo energia suficiente, confiável e de boa qualidade, para sua adequada utilização.

Objetivamos dar orientação aos profissionais no que diz respeito a execução de Instalações Prediais de Gás Combustível, expondo algumas etapas, tais como processos de soldagem, elementos de fixação das tubulações, reguladores de pressão, abrigo para regulador, teste e purga do gás e destacando o uso de tubulações de cobre.


Instalações Prediais de Gás em Cobre


O mercado de gás brasileiro está em crescimento, principalmente em relação ao Gás Natural (GN), que vem conquistando espaço devido a descoberta da nova bacia em Santos (SP) e em outros países. Mas isto ainda não retira a primazia de insumos hoje majoritários, como o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), que é utilizado por aproximadamente 95% da população brasileira, principalmente para a alimentação.

Os sistemas prediais de suprimento de energia (Figura 01) precisam acompanhar este desenvolvimento, pois devem prover, quando necessário ao uso, energia suficiente, confiável, de boa qualidade e em quantidade controlável pelo usuário, para a sua adequada utilização.

O objetivo deste artigo é orientar os profissionais, expondo alguns procedimentos, quanto a execução de instalações prediais de gás combustível utilizando tubos de cobre.

Tubos e conexões de cobre

O cobre é um elemento químico (Cu) que se encontra na natureza em estado livre. É um metal de cor avermelhada, inalterável na presença de ar seco, bom condutor de calor e de eletricidade, é dúctil e maleável. Em contato com umidade se recobre com uma camada de carbonato básico, conhecido vulgarmente como azebre, que o protege de posteriores ataques.

As conexões são produzidas em cobre ou bronze de acordo com a Norma ABNT 11720. Elas são fornecidas com ou sem anel de solda e possuem pressão de serviço equivalente a de seus tubos.

Os tubos de cobre, empregados em instalações prediais de gás, deverão ser de classe I (Tabela 1), sem rebarbas, sem defeitos de estrutura, com diâmetro interno mínimo de 13,6 mm, rígidos, seção transversal circular, estirado a frio, sem costuras e soldados por capilaridade aos acessórios (luvas, joelhos, etc.).

Os cortes em tubos de cobre podem ser realizados com auxílio de serra metálica, disco ou corta-tubos. Este último, trabalha-se girando-o sobre a superfície circular da tubulação, ao mesmo tempo em que se pressiona a lâmina contra o tubo por meio de um ajustador de distância.

As tubulações não podem passar em dutos de ar condicionado, água pluvial e esgoto; reservatórios de água; compartimentos destinados a dormitórios; poços de elevadores.

Na travessia de elementos estruturais, deverá ser utilizado um tubo-luva (tubo no interior do qual a tubulação para gás é montada), com finalidades de não permitir o confinamento do gás em locais não ventilados, na hipótese de vazamento, e atuar como proteção mecânica.

Quando o cruzamento de tubulações de gás com condutores elétricos for inevitável, deve-se colocar um material isolante entre elas. A distância mínima em relação a condutores é 0,30 m, isto se for protegido por conduíte, e 0,50 m nos casos contrários.

O afastamento das tubulações de gás das demais, destinadas a outros fins, deve ser igual a, no mínimo, um diâmetro da maior das tubulações contíguas, no entanto, recomenda-se que as tubulações de gás tenham a distância mínima de 0,20 m de outras.

É recomendável que não ocorra passagem por forros falsos, compartimentos destinados a equipamentos e aparelhos elétricos, compartimentos inadequadamente ventilados e poços de ventilação. Caso seja inevitável, as tubulações deverão ser envolvidas por dutos ou tubos-luva (Figura 02), os quais devem:

*ser executados de material incombustível e resistente à água;
*apresentar distanciamento mínimo de 25 mm (1") entre a tubulação e a sua parede interna;
*ter, no mínimo, duas aberturas situadas nas suas extremidades, sendo que as duas devem ter saída da projeção horizontal da edificação;
*ter resistência mecânica adequada a possíveis esforços decorrentes das condições de uso;
*estar convenientemente protegidos contra a corrosão.

Ligações soldadas para tubos de cobre

Um dos métodos mais utilizados para se unir tubos de cobre é a solda, que dependendo da temperatura em que é realizada, se classifica em solda branda e solda forte.

Solda branda: processo de Soldagem Capilar utilizando metal de enchimento com ponto de fusão inferior a 450 ºC. As conexões capilares unem os metais (tubos e conexões) através do preenchimento, pelo metal fundido, do espaço existente entre as peças. Como a solda branda requer uma temperatura menor que a do ponto de fusão das peças (o ponto de fusão do Cobre é de 1.088 ºC), existe pouco risco de danificar a estrutura das peças.

Geralmente, em processos de Solda Capilar, utiliza-se um metal de enchimento como o 50-50 Sn/Pb (composto de estanho e chumbo), que pode ser substituído por metais sem presença de chumbo, quando existirem restrições de meio ambiente que regulamentam a presença desta substância.

Em casos que exista a necessidade de maior resistência para trabalhos em altas temperaturas (até 167 ºC), são utilizadas Soldas Capilares de bronze.

Indicado para instalações de gás embutidas de média e de baixa pressão e em instalações aparentes de baixa pressão.

Solda forte: processo de Brasagem Capilar semelhante à solda branda, porém utilizando metal de enchimento com ponto de fusão superior a 450 ºC.

Deve-se observar que este processo irá produzir recozidos locais nos tubos de cobre, que devem ser levados em consideração nos cálculos de resistência de pressão das instalações.

Ao unir tubos de cobre com acessórios de cobre, é necessário utilizar metais de enchimento de cobre-prata-fósforo, sendo seu ponto de fusão entre 600 ºC e 800 ºC.

Indicado para instalações de gás, em baixa e média pressão.

Processo de soldagem

O processo de junção dos tubos com as conexões de cobre é feito por Soldagem ou Brasagem Capilar, permitindo o emprego de tubos de paredes finas, leves, econômicos e fáceis de trabalhar, uma vez que se torna desnecessária uma espessura maior do tubo, exigida para as ligações por meio de rosca.

As superfícies de cobre e suas ligas, quando se apresentam em condições de limpeza, ajustagem e temperaturas adequadas, são facilmente soldadas. A resistência da solda não depende exclusivamente da ação de "agarramento" (aderência física ou mecânica) da solda, mas sim da resistência ao cisalhamento do metal. A tensão superficial (fenômeno da capilaridade) faz com que a solda se distribua de maneira uniforme em toda a extensão da junta, garantindo uma perfeita vedação.

Uma soldagem bem feita, onde não há excessos de fluxo e solda, garante perfeita estanqueidade e resistência igual ou mesmo maior que a resistência do próprio tubo.

Abaixo, segue a seqüência de execução para solda:

1.corte o tubo no esquadro. Escarie o furo e tire as rebarbas (Figura 03);
2.use palha de aço ou mesmo uma escova de fio para limpar a bolsa da conexão e a ponta do tubo (Figura 04);
3.com o pincel, apliq

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