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  Produção - Artigos
  Autor/Fonte: CanalEnergia
  Data: 2020-04-28

    Covid-19 suspende sonho americano de revolucionar o setor de energia


 

Apontado como uma das fontes mais promissoras de gás natural nos Estados Unidos, o gás de xisto, encontrado em pequenas bolhas em rochas, começou a sentir o baque da queda do preço internacional do petróleo. A commodity passa por uma crise sem precedentes. Com a demanda em baixa, em função do impacto da pandemia do coronavírus na economia global, os investidores estão pagando para se livrar dos barris de petróleo, que vêm registrando preços negativos. O mercado de gás também está sendo fortemente atingido. O revés histórico no setor de óleo levou a cotação do xisto a recuar fortemente.


Novas perfurações foram paralisadas e poços de exploração foram fechados. A expectativa é que a produção de gás de xisto seja reduzida em 20%, a maior queda da história. Antes da crise provocada pelo coronavírus, a agência de energia americana previa que o xisto representaria por 20% de toda a produção de gás americana. Há vinte anos, a produção era de apenas 1%. Agora, essas previsões estão sendo revistas. Até a expectativa para o longo prazo pode mudar. O governo americano acreditava que em 2046 cerca de 45% de todo o fornecimento de gás natural veria da produção de xisto.


Neste momento, há fortes indícios de que a queda na produção do gás de xisto possa deixar milhares de americanos desempregados. Os produtores de xisto não sabem se haverá mercado para o produto, com a queda mundial no consumo de petróleo e gás. Alguns analistas acreditam que levará tempo até a produção do xisto se recuperar, o que poderá colocar em pausa o sonho americano de uma revolução no mercado de energia.


O choque no setor de petróleo não deixa muitas esperanças para o gás natural. As petrolíferas nos Estados Unidos estão demitindo cerca de 50.000 trabalhadores, além de reduzir salários. As companhias menores correm o risco de fechar as portas. Muitas empresas estão desativando poços de petróleo. A situação é bastante preocupante. O endividamento do setor já chegou a 190 bilhões de dólares, um recorde.


O que parecia altamente improvável até um mês atrás corre o risco de se tornar realidade. Existe uma possibilidade tangível de que o faturamento das companhias do setor de energia evapore nos próximos meses. Com isso, cerca de 7 bilhões de dólares em liquidez iriam para o espaço.


No Texas, epicentro da indústria de petróleo e gás nos EUA – e um dos mais ricos do país –, a dor deverá ser ainda maior. O setor tem fama de pagar salários maiores do que a média de outros mercados e ter uma demanda constante por novos profissionais. Agora, esse cenário poderá mudar.


Companhias como a Armstrong Energy tem externado a gravidade do problema. Com os barris a um preço negativo, não vale a pena continuar investindo em produtividade nos campos de petróleo e gás. Em locais com poços mais antigos, isso pode significar a morte da produção. Para retomar a produção depois de uma pausa, o custo seria tão alto que talvez não faça sentido.

Os poços convencionais, mais antigos, já estão começando a desligar a torneira. A expectativa é que deixem de produzir 1,75 milhão de barris por dia, uma enormidade.


Na indústria de xisto, a grande preocupação é a suspensão da perfuração em novos poços. Como a produtividade costuma cair cerca de 60% em um ano, é preciso ter sempre um planejamento da exploração em novas reservas de gás.


O setor vê com maus olhos o atual cenário. A consultoria IHS prevê que a produção de petróleo deva cair para 10,1 milhão de barris por dia até o final do ano. A queda deve continuar no ano que vem e em 2022. A solução para salvar a indústria de xisto e petróleo é a chegada de novos investimentos no setor, o que por enquanto parece improvável. Se nada mudar, o gás de xisto, a grande esperança dos Estados Unidos se tornarem uma potência mundial na produção de gás natural, como já são em relação ao petróleo, terá que esperar um pouco mais.

 

Fonte: Abegás (23/04/2020)

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