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  Geral - Atualidades
  Autor/Fonte: Joaquim Levy - Ex- Ministro da Fazenda
  Data: 2019-12-19

    Urgência no setor de gás natural


 

O gás natural é uma energia de transição, e País precisa agir rápido, pois o mundo logo começará a consumir menos combustíveis fósseis
Joaquim Levy*

As oportunidade criadas pelo gás natural no Brasil devem ser aproveitadas com urgência e inteligência. Boa parte do nosso gás é associada ao petróleo, cuja venda tem pressa, exigindo que as alternativas estejam claras para não haver desperdício. 

Tem-se discutido o uso do gás no transporte, o que é bom. O gás comprimido poderia ter maior penetração no Rio, onde a rede de distribuição é pequena, ainda mais fora da capital. O gás não compete com o álcool, quando usado em substituição ao diesel em ônibus e caminhões. Mas as oportunidades vão muito além, e é hora de se pensar como os mercados podem se desenvolver de forma integrada. Qual política poderia maximizar o emprego, a renda e a competitividade do Brasil? Qual a visão dos governos e da sociedade, essa também através do Congresso?

Uma política integrada pode indicar se o melhor uso do gás seria queimá-lo em usinas termoelétricas no litoral ou se há formas melhores de fazer o setor industrial se beneficiar do aumento da oferta com custos menores. Independente de arranjos com as distribuidoras estaduais, o custo da energia termoelétrica tende a ser maior do que o das fontes renováveis, especialmente, quando essas são combinadas para mitigar os problemas de intermitência. Por outro lado, as térmicas podem merecer prioridade quando o CO2 que produzirem for capturado nos poços offshores, o que seria viável nos casos de gas-to-wire. A política do gás terá de lidar com a tarifação dos gasodutos e alternativas (marítimas?) para o gás chegar à Região Sul.

O gás pode transformar a fabricação de fertilizantes no Brasil, economizando US$ 4 bilhões por ano em importações. Não há escassez de divisas, mas dada a importância estratégica da agricultura, não é bom haver uma produção nacional competitiva, que dê maior segurança a esse setor? A produção de grãos brasileira depende de fertilizantes e correção do solo, e continuará assim. Inclusive na medida em que, para vencer nos mercados externos, ela se expandir pela recuperação de pastagens degradadas, integrando agricultura, pecuária e florestas. Este é um setor que não admite improvisação. 

O gás natural é uma energia de transição. Temos de agir rápido, pois o mundo logo começará a consumir menos combustíveis fósseis. Uma política que privilegie o uso do gás natural domesticamente, a exportação do petróleo, os biocombustíveis (de cana e dendê, principalmente), e a aceleração da eletrificação da economia a partir da energia solar e eólica atrairá a poupança nacional e internacional. Energia barata é base do progresso, inclusive na economia do conhecimento, visto que centros de processamento de dados requerem muita energia. 

Não se está falando de dirigismo estatal, mas de diálogo para lidar com questões concretas. Seria conveniente, por exemplo, aposentar a geração de caminhões financiada no começo da década - ou melhor seria desenvolver kits de adaptação para gás comprimido, considerando que em quinze anos a eletrificação poderá ser dominante? Quanto mais clara e ancorada no conhecimento e na eficiência for a política, menos o governo precisa subsidiar.

O exemplo do Reino Unido sob governos conservadores é ilustrativo. O sucesso de Margareth Thatcher deveu-se muito ao Mar do Norte. O seu antagonismo aos sindicatos de mineiros não era só por ideologia: substituir o carvão pelo gás trouxe o país para o século XX. Os governos a partir de Cameron promoveram a geração eólica, em particular offshore, com contratos de compras e medidas de redução de risco para os investidores, inaugurando o século XXI. Atenção aos custos foi critério relevante em ambos os casos.

A votação do marco do gás, com as alterações cabíveis, seria um grande passo para abrir caminhos para o Brasil. Uma política do gás robusta e atenta à sociedade ajudará a tirarmos o máximo dessa riqueza enquanto vamos nos preparando para produzir energia e fertilizantes primariamente de fontes renováveis, o que será um imperativo ao final da próxima década.

 

 
 
Fonte: O Estado de São Paulo (14/12/2019)
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