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  Geral - Express
  Autor/Fonte: Veja
  Data: 26/11/2012

    A rocha que mudará o mundo


O xisto, formação rochosa que contém uma fartura de gás e petróleo, pode levar os EUA à autossuficiência energética ' — e alterar o jogo geopolítico.
 

Na primeira vez em que um representante da indústria do gás apareceu em suas terras no distrito de Bradford, norte da Pensilvânia, John Williams não fazia idéia do que se tratava. O desconhecido disse que queria arrendá-las para explorar uma jazida de gás. Pagava 170 dólares por hectare. Desconfiado, Williams não topou. Em 2006, quatro anos mais tarde, apareceu uma mulher que, em nome de outra empresa, fez uma oferta mais apetitosa: 400 dólares por hectare. Em 2007, com o mercado já em franca ebulição, o telefone de Williams chegava a tocar três vezes por semana com alguém fazendo uma proposta de arrendamento. Em 2008, finalmente ele cedeu. Arrendou por 5 500 dólares o hectare, mais royalties, que, nos picos de produção, lhe rendem até 15 000 dólares por mês. Ele conta: "Tive problemas para receber quando a empresa original transferiu o arrendamento para outra. Mas, no geral, não posso reclamar. Estou feliz".

John Williams, 55 anos, pai de cinco filhos, sabe que faz parte de uma corrida que está provocando uma revolução energética nos Estados Unidos — e no mundo. "Estudei o assunto, pesquisei bastante", diz. "Por isso, não arrendei minhas terras para o primeiro que apareceu." Seu vizinho cometeu esse erro: pegou míseros 12 dólares por hectare. O norte da Pensilvânia é uma região habituada à epopéia humana em busca de energia. Foi ali, em Tirusville, que se perfurou o primeiro poço de petróleo, em 1859, dando a largada para a criação da moderna e poderosa indústria petrolífera. Agora, um século e meio depois, a Pensilvânia está, de novo, no epicentro de uma transformação radical da energia no mundo.

Debaixo de suas terras, há uma enorme placa de xisto, uma formação rochosa de milhões de anos que aprisiona, dentro dela, uma imensa reserva de gás — o chamado gás de xisto. A rocha subterrânea é colossal no tamanho e no potencial. Estende-se do estado de Nova York a Ohio, passando pela Pen-silvânia e Virgínia Ocidental. Calcula-se que contenha uma das maiores reservas de gás do mundo, capaz de atender à demanda americana, no nível atual, por 100 anos. Numa coincidência espetacular, a Marcellus, como a formação rochosa foi batizada, está no miolo de um dos maiores mercados consumidores de energia do mundo — as áreas metropolitanas de Nova York, Filadélfia, Pittsburgh e Boston. Aubrey McClen-don, um dos fundadores da Chesapeake Energy, companhia com mais de 10000 empregados, assim descreveu a reserva da Marcellus: "Só pode ser intervenção divina".

Há décadas se sabe da existência da Marcellus e de seu potencial, mas extrair o gás da rocha exigia uma combinação de tecnologia e baixo custo, que só se materializou no início da década passada, quando se associou a perfuração horizontal com a técnica do fratura-mento hidráulico (veja o quadro na pág. ao lado). Desde então, deu-se "uma das maiores corridas de prospecção da história moderna", segundo Tom Wilber, autor de Under the Surface (Debaixo da Superfície), que narra a busca pelo gás de xisto. O resultado é estonteante. Em 2000, o gás de xisto representava 1 % da oferta de gás natural no mercado americano. Agora, já chega a 30%. A perfuração horizontal e o fraturamento hidráulico logo passaram a ser também aplicados para extrair petróleo da rocha. A produção na formação de Bakken, na fronteira com o Canadá, já levou o estado de Dakota do Norte a superar o Alasca no ranking da produção petrolífera.

Há duas semanas, o boom de petróleo e gás de xisto dos Estados Unidos foi reconhecido no relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia, em Paris. O documento diz que os Estados Unidos serão o maior produtor de petróleo do mundo em 2017, superando a Arábia Saudita e a Rússia, amais líderes mundiais. Em 2030, estarão exportando mais petróleo do que importam e, cinco anos mais tarde, serão autossufi-cientes em energia. A AIE já acertou na mosca, mas também já anunciou enormes bobagens. É prudente não tomar suas projeções como destino. Mas, somando-se a exploração das jazidas de petróleo e gás de xisto, o incentivo às fontes de energia limpa (solar e eólica) e as medidas para fazer carros mais econômicos, os Estados Unidos estão vivendo uma abundância de combustíveis fósseis — e falar em autossuficiência deixou de ser aquele sonho distante que os americanos buscam desde o governo Richard Nixon, nos anos 70.

O impacto geopolítico da nova posição americana será tão potente que fica difícil antecipá-lo. Os Estados Unidos abandonarão sua aliança de ferro com a Ar&aa

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