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1.
Segurança
O gás natural, sob todas as formas, é a
energia mais segura, e os índices de mortes e acidentes são
mais baixos que quaisquer outras energias. A indústria de gás
é também a menos perigosa pois não opera sistemas
de altas temperaturas, como refinarias, os processos de limpeza do gás
são simples e sem complexidade e não aplica altas tensões
ou correntes elétricas.
As principais características físico-químicas
que conferem segurança ao gás natural são:
Densidade Relativa ao Ar Atmosférico Inferior
à 1.
Isto significa que o gás natural é mais
leve que o ar. Assim, sempre que alguma quantidade de gás natural
for colocada livre no meio ambiente esta subirá e ocupará
as camadas superiores da atmosfera. Em ambientes internos o gás
natural não provoca acúmulos nas regiões inferiores,
sendo suficiente para garantir sua dissipação a existência
de orifícios superiores de ventilação e evacuação;
Ainda por sua densidade, o gás natural não
provoca asfixia. A asfixia ocorre quando um gás qualquer ocupa
o espaço do ar atmosférico ao nível do ser humano,
impedindo que este respire. A asfixia é a privação
de oxigênio e independe da toxidade do gás em questão.
Como o gás natural não se acumula nas camadas inferiores
e se dissipa rapidamente, não oferece risco de asfixia.
· Não Toxidade
Os gás natural não é quimicamente
tóxico. Sua ingestão ou inalação acidental
não provoca danos à saúde. Substâncias como
o monóxido de carbono(CO), presente nos gases manufaturados e
escapamentos de automóveis, e o cloro(Cl), utilizado largamente
na industria, possuem a propriedade de se combinar com a hemoglobina
do sangue animal e ocupar o lugar do oxigênio. É a hemoglobina
que transporta o oxigênio do pulmão para o resto do corpo.
Se esta é ocupada por outras substâncias, o oxigênio
não alcança o corpo e provoca falência dos sistemas.
As substâncias componentes do gás natural são inertes
no corpo humano, não causando intoxicação.
· Limite de Inflamabilidade Inferior é Alto
Isto significa que para atingir as condições
de auto-sustentação da combustão se faz necessária
uma quantidade significativa de gás natural em relação
à quantidade total de ar em um ambiente. Assim, na ocorrência
de um escapamento de gás natural em um ambiente interior, as
probabilidades de manutenção da combustão após
a iniciação por uma fonte externa (interruptor de luz,
brasa de cigarro) são muito reduzidas. Isto porque o gás
é leve e se dissipa, dificultando o atingimento do limite de
inflamabilidade inferior, e como também o limite inferior é
elevado, afastam-se ainda mais as chances de ser atingido;
· Faixa entre os Limites de Inflamabilidade Inferior
e Superior é Estreita
Significa dizer que, embora seja difícil alcançar
o limite inferior de inflamabilidade em um escapamento de gás
natural em ambiente interior, caso isso ocorra, a condição
de diluição da mistura ar-gás natural que permite
a auto-sustentação da combustão após um
incitação inicial é rapidamente perdida, pois logo
se atinge o limite superior de inflamabilidade e o gás natural
torna-se diluente do ar.
Assim, verifica-se que a promoção de uma
mistura ar-gás natural nas condições adequadas
à combustão auto-sustentada é difícil de
ocorrer aleatoriamente e depende da intervenção humana
para se realizar;
· Não Explosividade
A diferenciação técnica entre combustão
e explosão não é bastante clara porém, podemos
admitir que a diferença entre os dois processos está na
velocidade com que a mistura combustível é queimada, consequentemente
no tempo que dura, e na intensidade com que a energia é liberada.
A explosão é um processo de combustão de intensidade
tal que a pressão gerada pela expansão dos gases é
superior à resistência da estrutura que o comporta. Assim,
considerando que o gás natural não se acumula em ambientes
internos, que as condições de inflamabilidade não
são facilmente atingidas e que nestas condições
a velocidade de propagação da combustão do gás
natural é a menor entre os gases combustíveis, a ocorrência
de explosões por escapamento de gás é praticamente
nula.
Não se pode desconsiderar os processos de detonação,
que ocorrem em ambientes fechados, a altas pressões e a partir
de uma onda de choque provocada. Estes processos podem ocorrer em vasos
de armazenagem ou tubulações de transporte. Como se trata
de uma combustão, apenas em condições especiais,
só pode ocorrer se a quantidade adequada de comburente estiver
presente (motores de combustão interna alternativos a gás).
Porém, tratando-se de gás natural que é sempre
transportado e armazenado puro, sem contato com o ar, a ocorrência
de processos explosivos só é possível nas manobras
de partida e parada do sistemas quando ar está presente nas tubulações
e vasos. A aplicação de um gás inerte, como o nitrogênio,
para realizar a purga do ar é suficiente para eliminar os riscos;
Pelas diversas características apresentadas anteriormente
constatamos que não ocorrerão catástrofes ecológicas
com a destruição de um gasoduto ou de um navio metaneiro.
A contribuição do metano para o aquecimento
global como gás de efeito estufa deve ser sempre considerada
e os lançamento deste gás na atmosfera devem ser evitados,
entretanto, os volumes em questão não provocam impactos
ambientais.
2. Qualidade
A alta qualidade do gás natural como energético
é decorrente de suas propriedades químicas e físicas.
Como o produto comercial é limpo de impurezas e com baixo índice
de compostos sulfurosos os gases resultantes de sua combustão
podem entrar em contato direto com produtos e processos sem contamina-los
e a evacuação dos gases de exaustão pode ser realizada
com o máximo aproveitamento do calor (temperaturas em torno de
100 ºC) sem o risco de formação de ácidos
e a conseqüente corrosão dos trocadores de calor e das chaminés.
Por outro lado, seu estado gasoso propicia um nível
de controle nos processos de combustão que permite garantir a
elevada qualidade de produtos e processos mais sofisticados.
Em alguns casos particulares a promoção
de uma atmosfera oxidante ou redutora (sem oxigênio livre) no
ambiente de processos é desejada e a aplicação
de uma chama oxidante e redutora a gás atende à necessidade.
3. Flexibilidade
A flexibilidade é intrínseca ao gás
natural. Como foi dito no início deste texto, a combinação
do gás natural com o ar atmosférico é a condição
suficiente para promover o atendimento energético à qualquer
potência, não existindo a necessidade de sistemas auxiliares.
A alimentação de gás, via gasoduto ou tanques(pressurizado
ou liqüefeito), é suficiente para proporcionar o atendimento
da demanda energética e oferecer uma ampla faixa de variação
de potência com o mesmo equipamento e a mesma qualidade.
Isto confere aos sistemas à gás flexibilidade
muito superior de instalação, localização,
operação e potência. Um mesmo gasoduto a qualquer
pressão, um mesmo tanque criogênico de qualquer capacidade,
pode abastecer qualquer consumo e qualquer equipamento diretamente utilizando
uma simples válvula redutora de pressão ou um vaporizador.
Não existe flexibilidade maior.
Ao compararmo-lo à eletricidade verificamos que
esta obriga a ter uma única tensão e única freqüência,
sistemas de alimentação com 2 a 4 cabos, sem armazenagem,
uma regularidade de consumo, proteção contra harmônicos,
parasitas, etc., e uma restrição de localização
à proximidade da rede, que tem sua linhas de transmissão
aéreas.
Comparando aos derivados do petróleo vemos que
estes precisam ter um ciclo próprio - Diesel, Otto - sua manipulação
exige elevação de temperatura, injeção de
ar, injeção de vapor, pressurização, etc.,
todos sistemas auxiliares que restringem e limitam as aplicações.
Os combustíveis sólidos são igualmente
cerceadores das liberdades de escolha, seja pela necessidade dos sistemas
de manipulação, seja pela proximidade à fonte.
Outros energéticos renováveis como o solar, vento e água
oferecem limitações naturais de potência e disponibilidade.
Assim comparado, podemos dizer que o gás natural
é um produto fácil de aplicar, que queima no estado natural,
sem precisar de auxiliares e até induzindo o ar de combustão
e é uma energia fiel e amiga sempre à disposição
do consumidor.
4. Independência
O gás natural apresenta um grande nível
de independência dos espaços, das distâncias, dos
meios de transporte e das vulnerabilidades geo-políticas para
todas as condições de uso.
Uma canalização de gás natural pode
ser aérea (leve) ou enterrada, no fundo do mar, de um lago ou
em qualquer rua da cidade e sob qualquer muro de edifício. Nas
instalações com
tanques de armazenagens estes podem ser enterrados ou
alocados sem dificuldades, existindo tanques horizontais e verticais.
Neste sentido o gás é independente no espaço pois
não precisa de dutovia, atravessa os campos embaixo das culturas
e é armazenado sem ocupar áreas significativas.
Os centros de consumo não estão limitados
às regiões próximas fontes de exploração
de gás pois gasodutos de 4.500 km já operam e podem transpor
continentes e oceanos(se for mais econômico que o GNL). O GNL
já é transportado em todos os oceanos tendo origem e destino
em países bastante distantes. O GNL é transportado da
Austrália até a Espanha (8.600 milhas). Assim, o gás
natural é independente das distâncias.
É também independente dos meios de transporte
e de vias pois no estado gasoso pode ser deslocado em gasodutos e na
forma liqüefeita pode ser deslocado via caminhão, trem ou
navio.
Como será visto a seguir a diversificação
da origem é tal que países são abastecidos por
diversas fontes independentes eliminando os riscos geo-políticos.
5. Diversificação
da Origem
A diversificação das fontes de origem é
uma característica especial do gás natural quando comparado
a outros energéticos. Enquanto as reservas mundiais de petróleo
estão concentradas no Oriente Médio(64 %), como pode ser
visto na Figura 1, o que permite à OPEP controlar os preços
praticando os "Savings Procedures". As reservas mundiais de
gás natural são mais distribuídas ao redor do mundo,
como pode ser visto na Figura 2.
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