| As reservas mundiais provadas de gás natural situavam-se em dezembro/09 próximas a 187,2 trilhões de m3 (6.609,3 tcf), segundo avaliação feita pela publicação especializada Oil&Gas Journal, edição de 7/6/10. Comparando este valor com levantamento análogo feito dois anos antes, divulgado pelo GasNet, nota-se que apesar da produção mundial ter se aproximado de 3 trilhões de m3 anuais, o total das reservas provadas mundiais continua crescendo, a um ritmo de cerca de 3,5% ao ano - dos vinte e sete países com os números divulgados, apenas quatro reduziram o volume comprovado.
A principal razão para que, a despeito do expressivo consumo, as reservas mundiais estejam em ascensão parece ser a incorporação de volumes provenientes das chamadas “fontes não-convencionais”, em especial o gás contido nas formações de folhelhos, designação mais correta para o gás de xisto (shale gas). A incorporação de “shale gas” às reservas provadas que ocorre nos Estados Unidos, embora o mais importante, não é o único efeito das fontes não-convencionais a contribuir para esta tendência – o gás de areias compactas (tight sand gas) e os depósitos de carvão (coal-bed methane) também vão vencendo os desafios tecnológicos e tornando-se comerciais, uma reviravolta no mercado que temos frequentemente salientado (vide o recente artigo “Oil companies dash for gas”, que mostra “majors” do porte da Shell e Exxon em vias de se tornarem tão grandes em gás quanto em petróleo).
É possível que, além de impactarem fortemente nos mercados, as fontes não-convencionais contribuam para amenizar a distribuição muito pouco equitativa entre os países detentores de reservas. Se observarmos o quadro abaixo, veremos que três países detém 54,8% do total das reservas mundiais. Rússia (25,4%), Irã (15,8) e Qatar (13,6). Alto com parece, o percentual detido por estes três países caiu um pouco em dois anos – em 2007, era de 57,1%.
Abaixo estão os 27 países listados pela publicação Oil&Gas Journal, na qual transformamos os valores em trilhões de pés cúbicos (tcf) para bilhões de metros cúbicos (bcm) na razão de 1 tcf = 28,32 bcm.
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Países
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Reservas provadas (bilhões de m3)
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Rússia
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47.578
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Irã
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29.614
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Qatar
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25.468
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Turquemenistão
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7.505
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Arábia Saudita
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7.448
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Estados Unidos
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6.930
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Abu Dhabi
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5.622
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Nigéria
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5.248
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Venezuela
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4.984
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Argélia
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4.503
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Iraque
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3.172
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Austrália
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3.115
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China
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3.030
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Indonésia
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3.002
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Casaquistão
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2.407
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Malásia
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2.351
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Noruega
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2.314
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Usbequistão
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1.841
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Kuwait
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1.784
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Canadá
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1.776
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Egito
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1.657
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Líbia
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1.540
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Holanda
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1.416
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Ucrânia
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1.104
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Oman
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850
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Argentina
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399
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Reino Unido
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292
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Outros
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10.246
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TOTAL
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187.196
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Notamos a falta de alguns países detentores de substanciais reservas, como a Bolívia (750 bcm). Além disso, o Brasil, com 366,5 bilhões de m3 de reservas provadas (Boletim MME, maio/10), já poderia figurar na lista dos 27 mais, ultrapassando o último colocado, o Reino Unido (que apresentou a maior queda em relação a 2007). Entretanto, ainda não foi incluído pelos organizadores da lista, permanecendo entre os “outros”. Talvez se já estivéssemos inventariando nossos recursos em “shale gas” (o que seria adequado não apenas por este motivo), já estaríamos situados mais confortavelmente neste seleto grupo.
Luis Olavo Dantas, julho/10
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