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  Produção - Artigos
  Autor/Fonte: O Estado de São Paulo
  Data: 19/06/2019

     Petrobras faz a maior descoberta desde o pré-sal, em Sergipe e Alagoas


 

ANP acha que existem na região outras áreas com indícios de presença de petróleo e gás
 
A Petrobras fez em Sergipe sua maior descoberta desde o pré-sal, em 2006. De seis campos, espera extrair 20 milhões de m³ por dia de gás natural, o equivalente a um terço da produção total brasileira.
 
Divulgada em maio de 2019, a descoberta deve gerar R$ 7 bilhões de receita anual à estatal e sócias, calcula a consultoria Gas Energy. Na avaliação do governo, a conquista pode ajudar a tirar do papel o esperado choque de energia barata prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes - plano para baratear em até 50% o custo do gás natural e reindustrializar o País.
 
A aposta do governo é que, em pouco tempo, deva sair de Sergipe o gás mais barato do Brasil. Primeiro, pelo próprio aumento da produção, que ajuda na redução dos custos. Segundo, pela entrada em operação de rivais da petroleira, como a americana ExxonMobil, que tem projetos de exploração na região. Por fim, pela presença de empresas importadoras de gás, que também vão concorrer pela infraestrutura de escoamento. Dessa maneira, a tendência é de redução na tarifa de transporte e, com isso, também do preço final do produto.
 
Vamos ter competição. É isso que vai fazer o preço baixar, afirma o secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Felix, que participa da elaboração do plano de Guedes.
 
O governo também tem a expectativa de estimular a economia na região com o gás. De 2014 a 2017, a cadeia de óleo e gás ficou praticamente paralisada como reflexo da forte queda no preço do insumo no mercado internacional e das revelações da Operação Lava Jato da Polícia Federal, que revelou bilhões em desvios de recursos na Petrobrás. É possível que a gente assista a uma retomada da indústria de petróleo e gás no Nordeste, onde tudo começou, diz o presidente da Gas Energy, Rivaldo Moreira Neto.
 
O diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Felipe Kury, classifica o potencial da Bacia de Sergipe-Alagoas como muito promissor. Além dos seis campos da Petrobras, a ANP acredita que existem na região outras áreas com indícios de presença de petróleo e gás que, nos próximos anos, podem resultar em novas descobertas relevantes.
 
Pelos dados do MME, para delimitar o reservatório e construir um gasoduto até a costa, a Petrobras deve gastar US$ 2 bilhões ainda neste ano. A estatal não revela os planos para a região. Por meio de sua assessoria, informou apenas que as águas profundas de Sergipe vêm mostrando grande potencial para o desenvolvimento. Disse também que o orçamento do projeto está previsto em seu plano estratégico para os próximos cinco anos. Por enquanto, a estatal está trabalhando apenas na exploração, mas não na produção dos campos.
 
Expectativa
 
O gás já provoca uma reviravolta na economia de Sergipe. Virei um caixeiro viajante, batendo de porta em porta de indústrias, oferecendo as vantagens do gás natural a quem quiser se instalar no Estado, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, José Augusto Pereira de Carvalho.
 
 
Fonte: O Estado de São Paulo (16/06/2019)
 
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