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  Termelétricas - Artigos
  Autor/Fonte: Valor Econômico
  Data: 03/04/2019

    GNA obtém US$ 288 milhões para térmica a gás


 

A Gás Natural Açu (GNA), joint venture formada pela Prumo Logística, BP e Siemens, deu mais um passo importante na estruturação financeira do projeto termelétrico GNA I (1,3 mil gigawatts), usina a gás natural em construção no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), no Norte Fluminense. A companhia fechou com o International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado, um contrato de financiamento de longo prazo (15 anos), no valor de US$ 288 milhões.

A assinatura do empréstimo ocorre três meses após a GNA anunciar o primeiro contrato de financiamento, no valor de R$ 1,7 bilhão, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à KfW IPEX-Bank – responsável pelo financiamento de projetos internacionais e exportações do grupo KfW. A operação conta com o apoio da agência alemã de crédito à exportação Euler Hermes Aktiengesellschaft.

O diretor-presidente da GNA, Bernardo Perseke, conta que, com as duas linhas de empréstimo fechadas, a empresa já garantiu R$ 2,6 bilhões em financiamentos de longo prazo para implementar o projeto – que contempla ainda a construção de um terminal de gás natural liquefeito (GNL), com capacidade para regaseificar 21 milhões de metros cúbicos diários (m3 /dia) de gás natural.

Ao todo, a GNA espera investir cerca de R$ 4,5 bilhões no projeto, utilizando também parte de capital próprio dos sócios.

As obras de construção de GNA I completaram um ano, em março, e já exigiram até o momento, dos acionistas, aportes de R$ 1,2 bilhão. Ao todo, 2,5 mil trabalhadores estão envolvidos nas obras do empreendimento, previsto para começar a gerar a partir de 2021.

A companhia tem um outro projeto no Açu, a GNA II, com capacidade para gerar mais 1,7 gigawatts e previsão de entrada em operação em 2023. Juntas, as duas unidades vão garantir um parque gerador de 3 GW de energia firme. Segundo Perseke, a estruturação do financiamento da térmica GNA II ainda está sendo discutida internamente. A expectativa é que as obras da unidade comecem entre o fim deste ano e início de 2020 no Açu, porto que surgiu pelas mãos do empresário Eike Batista e que é controlado pela americana EIG.

Além dessas duas usinas, a GNA possui licença ambiental para mais que dobrar sua capacidade instalada, para 6,4 gigawatts. Questionado sobre o interesse de participar dos próximos leilões de energia nova, de junho e setembro, Perseke disse que a companhia está sempre preparada para explorar novas oportunidades.

Mas precisamos ver as regras do edital dos leilões e como a demanda por energia vai estar, antes de tomarmos a decisão de investimento, afirmou Perseke.

O executivo destaca que, no futuro, a ideia da empresa é que as termelétricas do Açu consumam não mais GNL, mas gás natural doméstico do pré-sal.

Como fazer isso viabilizar o uso do gás nacional é uma questão que ainda está sobre a mesa. Precisamos de um novo ambiente regulatório e, além disso, conversar com os produtores de gás, disse.

Segundo Perseke, a iniciativa do governo federal de retomar as discussões para modernização do marco regulatório de gás, de forma a abrir o mercado brasileiro, é positiva. Mas ainda temos que ver como vai ser estruturada a nova regulação, comentou.

A GNA I é o terceiro investimento do IFC em geração de energia a base de GNL, na América Latina. A entidade também financia um projeto da AES Cólon, no Panamá, e da Centrais Elétricas de Sergipe (Celse) no Porto de Sergipe. A carteira atual de investimentos comprometidos pelo IFC em infraestrutura no Brasil é de US$ 800 milhões, sendo 70% desse valor destinado ao segmento de energia.

Historicamente o financiamento de projetos de infraestrutura, no Brasil, envolve o BNDES... Estamos trabalhando para ajudar o Brasil a identificar outros meios de financiamento de infraestrutura, porque o país possui uma necessidade de investimentos, disse o gerente sênior do departamento de Infraestrutura do IFC, Lance Crist, ao Valor.

 

 

Fonte: Valor Econômico ( 01/04/2019)

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