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  Distribuição - Artigos
  Autor/Fonte: Valor Econômico
  Data: 13/09/2018

     Naturgy vai investir R$ 1,7 bilhões no Brasil até 2022


O grupo espanhol Naturgy, ex-Gas Natural Fenosa, tem uma visão otimista do Brasil, apesar das recentes dificuldades econômicas e políticas. Presente no país há 20 anos, o grupo vê o mercado brasileiro como prioritário. Temos uma visão de longo prazo, de permanência, para o mercado brasileiro, disse Francisco Reynés, presidente-executivo da Naturgy. Reynés, que assumiu o cargo em fevereiro, afirmou que o plano estratégico da companhia prevê investimentos de R$ 1,7 bilhão até 2022 para desenvolver nova rede de distribuição de gás via CEG e CEG Rio, que operam no Rio de Janeiro e no interior do Estado, e por meio da Gas Natural Fenosa em São Paulo.

É uma demonstração da aposta do grupo no país, disse Reynés, que esteve no Rio, no início de setembro/18. No total, a Naturgy tem hoje 1,1 milhão de clientes no Brasil em distribuição de gás e a expectativa é captar 250 mil novos clientes até 2022 nas três distribuidoras (CEG, CEG Rio e Gas Natural Fenosa SPS). O grupo acredita que vai consolidar, assim, o crescimento registrado nos últimos anos e aumentar a quantidade de clientes em municípios do interior. Mas além da operação de distribuição de gás, a Naturgy entrou, via subsidiária Global Power Generation (GPG), no negócio de energia renovável. Desenvolveu seu primeiro projeto de energia solar em 2016, com duas operações no Piauí, e implanta outras duas unidades solares fotovoltaicas em Minas Gerais.

Reynés disse que o investimento de R$ 1,7 bilhão considera os negócios hoje existentes, e afirmou que o número poderá ser maior caso surjam oportunidades. Afirmou que o grupo tem a obrigação de analisar qualquer possível projeto que surja, como privatizações de empresas de distribuição de gás nos Estados. Se surgirem projetos de privatização de distribuidoras nos Estados, vamos estudá-los com vontade, disse Reynés. Ele também indicou que o grupo tem interesse na renovação das concessões das distribuidoras CEG e CEG Rio, cuja privatização ocorreu em 1997 e têm prazo de 30 anos, até 2027. No momento, não há negociação avançada sobre a renovação com o poder concedente, que é o Estado do Rio, mas o tema está em análise, segundo a Naturgy. Em 2018, serão investidos R$ 430 milhões nas atuais atividades de gás do grupo no país.

Na área de energia renovável, o grupo também olha para outras oportunidades, que podem ocorrer via novos leilões. A prioridade agora, porém, é construir as duas unidades solares fotovoltaicas em Minas Gerais, disse Reynés. Os projetos são Guimarania I e Guimarania II, que vão gerar a cada ano, segundo a empresa, 165 GWh a partir do último trimestre de 2018.

Em 2017, via GPG, o grupo já havia iniciado a operação das usinas Sobral I e Sertão I, no Piauí, capazes de gerar 154 GWh por ano.

Segundo Reynés, a aposta na área de energia renovável é uma tendência. O plano estratégico do grupo multiplica por três a capacidade instalada em renováveis entre 2018 e 2022. Essa é a nossa aposta, afirmou. No total, a GPG é dona de uma capacidade de geração de mais de 3,4 mil megwatts (MW) nos nove países 10/09/2018 Naturgy vai investir R$ 1,7 bilhão em gás no Brasil até 2022 onde opera: Porto Rico, Costa Rica, Panamá, República Dominicana, Uganda, Chile, México, Brasil e Austrália. O executivo disse que a vantagem, para o Naturgy, de ter entrado mais tarde neste segmento está no fato de que o grupo poderá utilizar a última tecnologia disponível, embora tenha que buscar aumentar sua participação de mercado.

Reynés disse que, independentemente de quem ganhe as eleições presidenciais deste ano no Brasil, o importante, do ponto de vista de um investidor estrangeiro como o Naturgy, é que haja estabilidade de regras e que se garantam marcos jurídicos e regulação o mais estáveis possíveis. Disse ainda que se o país quiser assegurar investimento tem que proporcionar ferramentas atrativas em um cenário em que os países concorrem por capitais. Se financiar hoje em reais no Brasil, em prazo de dez anos, é praticamente impossível, afirmou. Ele disse que o financiamento no Brasil segue muito concentrado no curto prazo quando se olha a necessidade dos grandes projetos de infraesturutura, que requerem prazos mais longos. É preciso buscar uma solução para que o financiamento em reais se adeque, em termos de prazos, ao ciclo dos investimentos.

O executivo considera ainda que o Brasil precisa cativar o investidor estrangeiro uma vez que, na América Latina, vive-se um momento de incerteza e instabilidade. Nesse cenário, no seu entendimento, os prêmios de risco precisam ser compensados com taxas de rentabilidade adequadas. Caso contrário, os investidores preferem ir para outros lugares, afirmou. Em termos globais, o grupo, que opera nos setores de gás e eletricidade, tem 22 milhões de clientes e presença em mais de 30 países. Em 2017, o grupo obteve uma receita de negócios de € 23,3 bilhões e um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de € 3,9 bilhões. A contribuição da operação brasileira para o Ebitda consolidado do grupo foi de 7% no ano passado.

A adoção da marca Naturgy, a partir de julho, explicou o presidente, tenta captar a sinergia existente entre ambiente e energia. O novo nome deve ser adotado somente em dezembro no Brasil.

 

Fonte: Valor Econômico 

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