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  Geral - Artigos
  Autor/Fonte: Roberto Rockman, Valor Econômico
  Data: 18/08/2012

    Exportações de biocombustíveis podem chegar a 10 bilhões de litros em 10 anos


 

 

Nesta década e no início da próxima, o Brasil poderá consolidar-se como principal fornecedor de biocombustível no mundo. As exportações líquidas de etanol poderão pular de um patamar de 1,8 bilhão de litros na safra 2010/2011 para 10,27 bilhões em 2021/2022, acréscimo de 457%, enquanto os embarques de açúcar poderão ter alta de 25%, chegando a 35 milhões de toneladas, aponta estudo do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


O consumo doméstico de etanol deve saltar 80%, de 25,5 bilhões de litros em 2010/2011 para 46 bilhões de litros em 2022. Já a produção de cana-de-açúcar no período, para atender ao mercado interno e externo, terá de saltar de 717 milhões de toneladas para 1,1 bilhão de toneladas, alta de 55%.


Cerca de 70% da demanda de biocombustível nos próximos dez anos virá dos Estados Unidos, que deverão continuar a ser o principal comprador de etanol brasileiro. "Os americanos estabeleceram um prêmio de preço para o etanol brasileiro, que é considerado combustível avançado, sendo que esse prêmio varia entre US$ 0,7 a US$ 0,8 por galão", afirma o pesquisador do Icone Marcelo Moreira.


Para que o cenário possa confirmar-se de fato, será preciso que novos investimentos nos canaviais sejam destravados. "Até 2015, vemos uma redução da ociosidade e diminuição das oportunidades de compra e venda de usinas já existentes, o que pressionaria o cenário de novos investimentos, já que as opções mais baratas de recuperação de terras deverão já estar esgotadas", destaca o pesquisador.


Em relação a dois eventuais grandes compradores de etanol brasileiro, União Europeia e China, o cenário de demanda ainda é incerto. O bloco europeu tem uma diretiva que busca ampliar o uso de etanol na área de transporte, como forma de atingir à meta de 10% de fontes renováveis até 2020 em sua matriz. No entanto, o biocombustível brasileiro chega aos países europeus sem ter um prêmio por ter maiores vantagens ambientais que seus concorrentes, enfrenta tarifa mais alta e barreiras não alfandegárias.


O vice-presidente de logística, distribuição e trading da Raízen, Leonardo Gadotti, avalia que a crise europeia poderá dificultar o alcance da meta. "A crise empurrou a agenda da sustentabilidade, dando ênfase a outras prioridades."


Para Plínio Nastari, presidente da Datagro, a União Europeia poderá tornar-se um dos três maiores mercados compradores de etanol produzido no Brasil, respondendo por entre 8% a 10% dos embarques do biocombustível. "Há uma tarifa sobre o etanol brasileiro que supera € 100 por metro cúbico, acho que poderiam ser destravadas as exportações para esse mercado com um acordo Mercosul-União Europeia, mas ele envolve todas as outras áreas", diz Nastari.


Para a Ásia, o cenário é um misto de incerteza e otimismo. China e Índia, que possuem um terço da população mundial, têm uma relação inferior a três veículos por 100 habitantes, enquanto no Japão e Estados Unidos essa relação supera 60 veículos por 100 habitantes. "Em biocombustível, temos um cenário fantástico, China e Índia são potenciais compradores do nosso etanol. Poderíamos ser os catalisadores da economia verde no mundo, mas o governo e a iniciativa privada não têm estratégia, planejamento, como se vê, já que importamos etanol de milho dos Estados Unidos. Precisamos atacar isso, porque poderemos ter de importar biodiesel", afirma o coordenador do Centro de Agronegócios da FGV, Roberto Rodrigues.


"A Ásia é um mercado do futuro", diz Gadotti, da Raízen, que destaca que, no caso do etanol no Japão, o biocombustível é usado como subproduto para se criar um aditivo à gasolina.


Para Moreira, do Icone, as barreiras não alfandegárias são outro obstáculo para o etanol brasileiro. Os órgãos europeus, por exemplo, deverão fiscalizar com lupa condições trabalhistas e ambientais na cadeia sucroalcooleira. "É uma lista extensa de exigências que podem criar complicadores a qualquer momento", diz ele, que ressalta que a crise fiscal que atinge economias centrais e periféricas do bloco pode atrasar a implementação dos programas de maior ingresso de biocombustíveis na matriz de transportes dos países.

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